Os clientes precisam de informações e, mais ainda, ferramentas de decisão. No caso da telemetria, os veículos trazem um volume imenso de dados.

Alexandre Fagundes*

A pandemia trouxe muitas transformações tecnológicas e comportamentais para o mercado global. O que esperávamos que acontecesse em meses ou alguns anos precisou ser adiantado rapidamente, em função da mudança brusca que sofremos.

Essa aceleração digital está sendo extremamente importante para o mercado de tecnologia em transporte de cargas e logística, não só no Brasil, mas no mundo todo. No caso da gestão de frotas, creio fortemente que a tendência, no transporte, é usar a telemetria para se tornar mais competitivo; só sobreviverão os que forem mais eficientes e competitivos, ou seja, quem realmente criar soluções para resolver as dores dos clientes nesse novo mundo e também quem pensar em reduzir impactos das operações no meio ambiente.

Dados

Hoje em dia estamos imersos em um mar de dados. O que os clientes precisam, no entanto, são informações e, mais ainda, ferramentas de decisão. No caso da telemetria, os veículos trazem um volume imenso de dados e o desafio da telemetria é ser essa ponte que transforma os dados em informações e, a partir destas, criar ferramentas de gestão.

Ao mesmo tempo, a evolução exponencial das soluções de imagem e vídeo com inteligência artificial traz uma nova dimensão de informações para um grande avanço. Por enquanto, o foco é na segurança com soluções de monitoramento, como fadiga e distração do motorista, e da estrada, como distância de segmento e proximidade de veículos.

Mas já há iniciativas para analisar os passageiros dos veículos (uso de máscaras e distanciamento social), identificação do motorista e passageiro (biometria facial), e, no futuro, vejo que as imagens permitirão a confirmação de visitas a clientes, alturas de pontes, condições das estradas, ou seja, muitas novidades estão se aproximando com uma velocidade incrível.

Com a entrada do 5G, aumentará ainda mais a capacidade de transmissão de dados e a Internet das Coisas (IoT) abrirão possibilidades de integrar muitos sensores. Assim, a telemetria pode ser o canal para enviar esses dados para os clientes.

Agronegócios

É claro que a tecnologia beneficia todos os segmentos; sem ela, nesse momento, a vida teria sido bem difícil. Porém, vemos que algumas áreas se beneficiarão mais do mundo pós-pandemia. É o caso do setor de delivery e entregas rápidas e locação de veículos on demand.

O agronegócio também foi muito beneficiado, tanto que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê alta de 2,5% no PIB do setor agropecuário, em 2020. Inclusive, o setor vem investindo pesado em IoT e já está usando soluções para a rastreabilidade de todos os processos, desde o plantio, colheita, transporte e produção dos produtos finais.

Por outro lado, infelizmente, a estrutura de telecomunicações na América Latina ainda é deficitária, mas o 5G e as novas tecnologias abrirão espaço para cobrir esse hiato e atender operações, mesmo em áreas remotas.

Transporte de cargas

No mundo pós-pandemia, o foco em coibir o roubo não é mais o diferencial, na gestão de frotas, tanto no Brasil, como em qualquer outro país.

As empresas querem ser mais eficientes que seus concorrentes, ou seja, precisam ter certeza de que estão usando os veículos corretos para a operação, que motoristas estão operando da forma mais eficiente possível, planejar o uso da frota para reduzir gastos desnecessários e o uso da mão de obra para reduzir custos de horas extras e contratações desnecessárias, além de reduzir a exposição dos funcionários ao risco.

A tolerância quanto à exposição ao risco de acidentes não é mais possível. Isso porque comportamentos de riscos nos condutores, para agilizar a logística, como era feito no passado, custa muito caro e, quem segue por esse caminho, não sobreviverá no mercado.

Por outro lado, sobrevive quem planeja bem, monitora operação de forma eficiente e promove funcionários que trazem os melhores resultados. Ainda assim, é necessário revisar constantemente estratégias, buscando sempre novas tecnologias e melhorando processos para obter melhores resultados.

Lado positivo

Com toda essa lição trazida pela pandemia, as empresas que valorizarem a telemetria, se tornarão mais competitivas. Como o mercado tende a se reestruturar drasticamente, muitas empresas desaparecerão, o que trará oportunidades.

Modelos de negócios irão desaparecer e novos surgirão; tudo o que entendemos como a “forma correta” de prestar serviços, deve ser questionada e revisada. Isso quer dizer que faremos novas perguntas, como: será que preciso ter frota própria ou terceirizar? Comprar veículos ou alugar? Muitos caminhões ou poucos grandes, entre outros questionamentos.

O importante, no final das contas, é extrair as melhores lições desse primeiro semestre de 2020, que foi o mais intenso das últimas décadas, e enxergar a tecnologia com positividade, afinal a telemetria está aí para apoiar iniciativas inovadoras, medindo e indicando caminhos a serem seguidos nos próximos anos.

*Alexandre Fagundes é Gerente de Produtos e Marketing da MiX Telematics Brasil. Está na empresa desde 2014, com formação em Engenharia Elétrica e ampla experiência profissional em vendas em grandes contas de tecnologia além da gestão de produtos e marketing.

Fontes: www.mixtelematics.com.br  alexandre.fagundes@mixtelematics.com