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16º Congresso Brasileiro do Agronegócio
 
Henrique Pátria
 
O governador Geraldo Alckmin participou da solenidade de abertura do Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado na capital paulista que reuniu cerca de 900 pessoas, entre empresários, políticos, consultores e profissionais relacionados ao agronegócio brasileiro. O governador exaltou as reformas que já foram feitas no Brasil, como a trabalhista e o limite dos gastos públicos, mas disse que ainda há um longo caminho a ser percorrido com as reformas tributárias, da previdência e política. Segundo suas palavras “Tudo isso será decisivo para a inserção do Brasil no complicado cenário internacional. Temos o desafio de jogar o jogo internacional do século 21”.
 
Já o presidente da ABAG, Luiz Carlos Corrêa Carvalho que promoveu o evento, disse que “Ao mesmo tempo em que pesquisas de organismos internacionais indicam que a demanda mundial por cereais deve crescer a metade do crescimento registrado nos últimos anos, o agro brasileiro sofre grandes mudanças: o milho ultrapassará a soja em produção, haverá uma explosão na produção sustentável, com o avanço da ILPF – Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, que atualmente já responde por 11,5 milhões de hectares”. Por isso temos de ter cuidado com o agronegócio e deveremos nos adaptar rapidamente para termos competitividade mundial.
 
A palestra inaugural do evento ficou a cargo do jornalista de economia, Alberto Sardenberg que bateu muito na tecla de que a política e a economia caminham juntas. “Não é possível separar política, economia e ética porque em um regime dominado pela corrupção, o país é economicamente deficiente, assim não é apenas uma questão moral”.
Com isso ele exaltou que precisamos mudar rapidamente para mais uma vez não perdermos o bonde da história. O Brasil tem grande capacidade de produção e os países ao redor do mundo estão se enriquecendo e cada vez consumindo e exigindo mais. No campo da política brasileira ele entende que na eleição de 2018, precisamos renovar tudo na política, citando o exemplo da França em que Emmanuel Macron, venceu com uma agenda de reformas incluindo a trabalhista com aumento de jornada, e reforma da previdência com o aumento da idade mínima para a aposentadoria. Todos querem modernidade e um novo modelo de vida está surgindo. É hora de renovar nossos conceitos.
 
Já no Painel sobre a Modernização Trabalhista que foi intermediado pelo jornalista William Waack o ex-ministro Almir Pazzianoto falou que houve uma quebra de paradigma pois até então alterar a CLT era um dos grandes tabus da sociedade brasileira. Fica ainda a dúvida do que vai valer, pois segundo as palavras do ministro a justiça trabalhista passa por um profundo movimento de politização que gera grandes distorções causando nas empresas grande insegurança jurídica. Já para o advogado Solon de Almeida Cunha “Entendo que a sociedade está madura para essa mudança, onde predomina a negociação entre empresas e empregados, com maior flexibilidade na administração dos conflitos e menor interferência do poder Judiciário”, com o que estava de acordo o presidente da Suzano – Papel e Celulose, Walter Schalka, que acrescentou que não é possível convivermos com 4 milhões de processos trabalhistas em andamento atualmente no Brasil.
O último painel foi intitulado painel Nova Geopolítica foi formatado nos moldes do Programa Roda Viva da TV Cultura tendo sido moderado pelo apresentador do programa, jornalista Augusto Nunes. Neste painel a necessidade urgente de uma reforma tributária no Brasil, a revisão da postura comercial brasileira perante o mundo, a realização de acordos internacionais bilaterais uma vez que o Brasil é considerado como o celeiro do mundo e todo o dia dá exemplos de competência e produtividade na produção, mas falhas na logística e na colocação de seus produtos no exterior foram alguns dos assuntos debatidos.
No encerramento do evento o presidente da ABAG chamou a atenção para as projeções da OCDE que indicam para uma demanda menor das commodities agrícolas no período 2017 e 2018. Isto indica que temos de ser mais competitivos e abandonar antigas práticas nos adaptando para um novo mundo que está nascendo com muitas exigências e muito controle sobre a qualidade de tudo o que se oferece.